Claire recebeu o convite para o sexagésimo aniversário do pai num elegante envelope cor de creme com letras douradas. No final do convite havia uma frase que a feriu mais do que muitas palavras que ele já lhe tinha dito:

“Traje formal obrigatório. Se não puder vestir-se adequadamente, por favor não compareça.”
Leu a frase duas vezes na pequena cozinha do seu apartamento, enquanto a filha de cinco anos, Emma, desenhava à mesa.
— Vamos à festa do avô? — perguntou Emma.
Claire forçou um sorriso.
— Talvez, querida.
Duas horas depois, a mãe telefonou-lhe.
— Claire, o namorado da tua irmã também estará presente.
— E então?
— É filho do senador Wallace. Haverá pessoas importantes na festa. O teu pai não quer situações embaraçosas.
Claire olhou para Emma, que desenhava um cão roxo com asas.
— Que tipo de situação embaraçosa?
A mãe suspirou.
— Sabes do que estou a falar. És mãe solteira e trabalhas numa cafetaria. Não encaixas propriamente neste ambiente.
Claire sentiu o peito apertar-se.
— Sou filha dele.
— Nós amamos-te, mas este é um evento muito formal. O teu pai trabalhou muito pela sua reputação.
A palavra “reputação” voltou a surgir. Era aquilo que a família sempre colocara acima de tudo.
— Então não querem que eu vá.
— Não queremos que te sintas envergonhada.
Claire soltou uma pequena gargalhada amarga.
— Não, mãe. Vocês não querem ser vistos comigo.
Sem esperar resposta, desligou.
Nessa noite pensou seriamente em ficar em casa. Mas Emma apareceu com um vestido azul-marinho comprado numa loja de segunda mão e começou a rodopiar pela sala.
— Pareço elegante, mamã?
Claire sentiu os olhos humedecerem.
— Sim. Estás perfeita.
E assim decidiram ir.







