Dois meninos foram deixados na minha varanda, e eu os levei para a família, eu me dediquei a criá-los, não poupando nada. Mas o que aconteceu depois

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Uma nevasca estava furiosa do lado de fora da janela, como se estivesse tentando abafar o estalo de um velho rádio no peitoril da janela. Anna Nikolaevna jogou outro tronco no forno e sorriu para seus pensamentos: a natureza sempre sabe como se lembrar de si mesma.

— Vamos beber chá, Murzik? — ela acariciou a mão nas costas de um gato vermelho. Aquele, satisfeito com a atenção, dobrou as costas com um arco.

A noite tranquila foi interrompida por uma forte batida na porta. Anna estremeceu: quem pode vagar pela aldeia em uma noite como essa? E porquê?

— Se é Petrovna novamente com suas ervas de pressão, juro que não abro… — murmurou ela, enfiando um xale quente.

Mas não havia ninguém no alpendre. Apenas a cesta, ligeiramente polvilhada com neve, e debaixo do velho cobertor havia еле Um movimento perceptível. O meu coração encolheu.

— Espero que os gatinhos não… — sussurrou ela, já percebendo que a cesta era grande demais para os gatinhos.

Quando ela levantou o cobertor, o mundo parou. Dois rostos minúsculos, corados pelo frio, olhavam para ela. Dois bebés, obviamente gémeos, cerca de dois anos. Um piscava sonolento, o outro chorava calmamente.

— Meu Deus — — ela suspirou, atordoada.

Anna rapidamente colocou a cesta na casa. Murzik, geralmente indiferente a tudo, encontrou a descoberta com um miado alto e perturbador.

— Acalme-se-ela afastou o gato, colocando a cesta mais perto do fogão.

Entre as fraldas havia uma nota: algumas palavras apressadas, tiradas com uma mão trêmula: «Socorro. Não estamos conseguindo.»

— Aqui está um presente para o Ano Novo-murmurou Anna, desenrolando cuidadosamente o pacote.

Um dos bebês sorriu de repente — um sorriso surpreendentemente significativo e adulto.

— Olhe para esses caras sérios-ela disse com uma voz dolorida. — Vamos aquecer-nos?

Depois de colocar as crianças no sofá, Anna correu pela casa tentando descobrir o que fazer. Murzik não se afastou, Miou, ficou no caminho.

— Eu sei — disse ela ao gato. — Estou confusa.

Ao amanhecer, os bebês já começaram a se acostumar: um estava rastejando no sofá, o segundo estava tentando alcançar a cauda do gato.

— Bem, meus queridos-sentou-se Ana diante deles. — Tenho de tomar conta de si.

«Senhor, o que estou fazendo?»- passou o pensamento, mas quando uma pequena mão agarrou seu dedo, todas as dúvidas desapareceram.

— Está combinado. Vão ser Pedro e Pavlik. Parece firme, forte.

Murzik confirmou sua escolha por um longo ronronar.

— Ele aprovou-ela riu. — E os documentosемся tratamos deles amanhã.

Ela nunca dormiu — passou a noite entre o fogão e o sofá, ouvindo os meninos soprarem e pensando em como a vida poderia mudar completamente da noite para o dia. Ontem ela estava sozinha e agora é mãe. Não queria chorar, queria viver.

— Vamos conseguir-sussurrou ela, abrigando as crianças. — Agora sou o seu apoio.

A primavera chegou inesperadamente. A neve ainda estava branca na cerca, e dois bebês desgrenhados já estavam correndo pelo quintal. O Morzik cansado mal conseguiu acompanhar suas travessuras.
— Pavlik, larga o gato! Petya, por que você corre em uma meia? — a Anna estava a gritar pela janela.

Apenas três meses se passaram, mas sua vida ainda parecia um conto de fadas. A casa, antes calma e tranquila, transformou-se em um espaço barulhento cheio de jogos, tortas e caos infantil.

A vizinha Claudia Petrovna, inclinando-se sobre a cerca, ofereceu:
— Anna Nikolaevna, eu fiz bolos, você pode entrar?

«Só curiosidade», pensou Ana.
— Obrigado, Petrovna, mas temos uma rotina rigorosa: almoço e depois uma hora de silêncio — ela respondeu firmemente.

— Mas é uma responsabilidade — dois filhos! Talvez estivessem melhor num orfanato. a vizinha insistiu.

A Anna сдерж:
Talvez seja melhor você cuidar do jardim. Já está todo coberto…

Mais tarde, enquanto colocava as crianças para dormir, ela ainda estava fervendo com a conversa. De repente, Petya agarrou-se a ela.:
— Mãe, somos mesmo teus?

Ela está parada. Foi a primeira vez que a chamaram de «mãe».
— Claro que sim — abraçou os dois. — São as minhas.

— E a tia Claudia diz que não — acrescentou Pavlik.

— Quer que lhe conte uma história? — A Anna está mais confortável. Era uma vez uma mulher com um coração enorme, no qual todas as estrelas do céu cabiam.…

Pavlik, já dormindo, perguntou:
— Temos isso?

— Você tem mais-ela sussurrou, beijando — os no topo.

De manhã, Anna foi à loja para negociar a venda de suas tortas. Em seguida, fui para uma amiga, Tatiana Sergeevna, para ajudar com a preparação de documentos para o jardim de infância.

— Estás mesmo a fazer isto? ela ficou surpresa ao fazer o chá.

— Viste os olhos deles? Ana respondeu com um sorriso. Pensei que a minha vida já tinha sido vivida… e agora Petya me trança «tranças», e Pavlik ensina o gato a lavar-se.

— Como estás a lidar com isto?

— Não sou a mesma. agora tenho uma equipa inteira.

Anna tirou uma foto-nela, os dois meninos estavam até as orelhas em farinha, e ao lado de uma visão importante, Murzik estava sentado.
— Padaria «três heróis» — juntos bolos e felicidade assar-ela brincou.

Quando ela voltou para casa, descobriu que a cozinha havia se tornado um campo de batalha. A farinha estava por todo o lado, como neve.
— Mãe, estamos a ajudar! — Pavlik disse alegremente, orgulhosamente mostrando as palmas das mãos manchadas com a massa.

-Ah, sim, os verdadeiros chefs улыб — Anna sorriu, olhando para o trabalho deles.

À noite, eles levaram o assunto a sério: amassaram a massa, fizeram bolos. E então Ana disse:
— Amanhã vamos tratar da papelada. Você se tornará oficialmente Petey e Pavel Nikolaevich.

— Porquê Nikolaevich? — Pedro ficou surpreso, inclinando a cabeça para o lado.

— Porque eu sou Anna Nikolaevna e seu avô se chamava Nikolai.

— E o pai? — de repente, Petya perguntou calmamente.

Anna parou por um momento, pegando as palavras.
— O pai é um herói. O meu marido também. São as estrelas que sempre nos guardam.

— Como estão no céu? — Pavlik agarrou-se a ela, como se quisesse se aquecer do frio invisível.

— É isso mesmo — respondeu suavemente.

Naquela noite, dormiram todos juntos. A cama, que antes parecia enorme e vazia, agora estava cheia de calor e conforto. Murzik, enrolado a seus pés, observou a paz de sua família. Fora da janela, a chuva da primavera batia ritmicamente no telhado, como se lembrasse que tudo estava indo bem. E que a verdadeira família não se baseia no sangue, mas no amor.

O tempo voa como se ganhasse asas. Os meninos foram para a escola, e agora à noite a casa estava animada com novas histórias: histórias de amigos, travessuras no recreio e os cinco primeiros. Murzik tornou — se um ouvinte silencioso, mas atento-era importante sentar-se no peitoril da janela, como o mais velho da casa, aprovando o que estava acontecendo com seu silêncio.

Os anos passaram como um instante. Petya, depois de se formar na escola, entrou no Instituto Pedagógico, decidindo se tornar um professor de matemática. Ele disse que a escolha foi feita quando aprendeu a contar com os bolos da mãe. Pavlik, por outro lado, escolheu a profissão de mecânico e abriu uma oficina na aldeia. Sua explicação era simples:
— Não vou deixar a minha mãe.

E então um verdadeiro milagre aconteceu-Pavlik teve uma filha. Chamaram-lhe Annushka. Pequena, de nariz arrebitado, com olhos escuros e um topo de vórtice, tornou-se o centro de seu mundo.

— Mãe-disse uma vez Petya, observando Anna Nikolaevna balançando sua neta. Lembras-te da noite em que nos encontraste?

— Claro-sorriu Ana. — Lembro-me agora. Murzik ficou tão indignado.…

— E eu me lembro de sua história-acrescentou Paulo. Um grande coração e as estrelas.

— E sobre o fato de que todo o mundo pode caber nele — pegou Petya.

Anna olhou para seus meninos-agora homens adultos. Nas proximidades, a pequena Annushka cavou silenciosamente, e as paredes da casa foram decoradas com fotos: primeira classe, uma caminhada com tendas, formatura, exército, casamento.toda a sua vida, passo a passo.

— Você sabe — disse ela calmamente, olhando para a neta-você me ensinou como deve ser um coração realmente grande. Vocês são as minhas estrelas.

Do lado de fora da janela estava chovendo novamente, como naquela noite fatídica, quando uma cesta com dois bebês foi colocada sob sua porta. Só que agora essa chuva não assustava, mas cantava silenciosamente a canção de sua família-real, forte, criada através do amor e da aceitação.

Annushka sorriu em um sonho. Assim como Petya e Pavlik sorriram para ela na primeira noite em que ela os aqueceu no fogão. Havia tudo naquele sorriso: passado, presente e futuro. Família não são apenas palavras em documentos. É amor, confiança e um coração enorme que pode acomodar o mundo inteiro.

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