Julia corrigiu o casaco e olhou rapidamente ao redor da sala — estava lotado. Trajes rigorosos e rostos concentrados brilhavam por toda parte. Tais atividades tornaram-se habituais para ela. Sua agência de publicidade tem desfrutado de renda estável por três anos.

— Desculpe, posso sentar-me aqui? ouviu-se uma voz masculina educada.Ela virou-se. Ao lado estava um homem alto em um terno cinza arrumado. Seu cabelo escuro estava impecável e seus olhos cinzentos a examinavam com interesse.
— Claro, o lugar está livre-respondeu Júlia sorrindo.
— Roman Petrov, trabalho no banco, — ele estendeu a mão.
— Julia Sergeeva, proprietária da creativity Plus, — ela apertou a mão dele.
Roman levantou as sobrancelhas:
— A dona? Com essa idade? É impressionante.
— Tenho vinte e oito. A agência abriu quando eu tinha vinte e cinco anos. Nada de sobrenatural, só trabalhei muito.
— Como correu?
— Não me queixo. Temos doze clientes regulares e os lucros estão a aumentar.
Roman balançou a cabeça:
Admiro as pessoas que constroem seus negócios do zero.
Todo o relatório eles trocaram olhares, passaram notas uns aos outros, discutiram os discursos dos oradores. Após a conferência, Roman sugeriu que a conversa continuasse com o café.
— Conte — me mais sobre o seu negócio-ele perguntou quando eles se estabeleceram em um pequeno café nas proximidades.
Julia falou sobre as dificuldades na fase inicial, sobre os primeiros clientes, sobre noites sem dormir e a determinação de não desistir. Ele ouviu atentamente, fez perguntas precisas, mostrou um interesse vivo.
— Você é uma mulher incrível-disse ele no final. — Tão determinada, confiante, independente.
— Eu só tive que ficar assim — Júlia sorriu um pouco triste. Os pais saíram cedo, não deixaram nada. Tive de fazer tudo sozinha.
— Então suas realizações são ainda mais valiosas-Roman olhou para ela com respeito e admiração.
Os meses seguintes passaram rapidamente. O romance foi cortejado de forma bonita e persistente. Ele admirava sua perspicácia nos negócios e se orgulhava de seu sucesso.
— Você não sabe o quanto eu te amo-disse ele. — Forte, inteligente, incrível.
Julia floresceu ao seu lado. Ao lado do romance, ela se sentia não apenas uma empresária de sucesso, mas também uma mulher de verdade.
Um ano e meio depois, eles fizeram um casamento modesto — em um círculo de amigos íntimos. A lua-de-mel de Roman insistiu em ser realizada na Itália.
— Você merece o melhor-repetiu ele, escolhendo hotéis e restaurantes caros.
Mas pouco depois de voltar para casa, o primeiro grande golpe ocorreu. O banco onde o Roman trabalhava fez cortes maciços e o seu departamento fechou completamente.
— Leva tempo para encontrar um novo lugar-disse ele ao café da manhã, um pouco confuso. A concorrência no setor bancário é muito forte.
— Não se preocupe, vamos conseguir — disse Júlia. As coisas estão a correr bem na Agência.
Roman acenou com a cabeça, mas sua expressão ficou sombria:
— Não quero depender de TI financeiramente.
Semana após semana, a situação não mudou. Roman estava ativamente procurando emprego, participando de entrevistas, mas foi rejeitado após rejeitado. A Julia viu-o perder a confiança, dia após dia.
— Porque não trabalhas para mim? — ela ofereceu-se com cuidado uma vez. — Gerente de contas. Tens experiência com pessoas.
— Tu? — ele levantou a cabeça rapidamente. — Para que Cargo?
— Para a gerente. No banco, fazias isso.
— Temporariamente? esclareceu o romance.
— Sim, claro. Até que encontres algo adequado na tua área.
Um longo silêncio pairou entre eles, então ele concordou:
— Bom. Mas apenas temporariamente.
Nas primeiras semanas tudo correu bem. Roman rapidamente dominou os processos, os clientes o receberam calorosamente. Júlia ficou feliz por poder ajudar a pessoa amada.
Mas com o tempo, tudo começou a mudar. Roman começou a notar falhas em seus métodos de trabalho.
Por que a apresentação demora tanto? — perguntou ele. No banco, foi muito mais rápido.
— Temos outras especificidades-explicou Julia. É preciso mais tempo para a criatividade.
Por que pagar a esses designers? — continuou ele. É possível encontrar opções mais orçamentárias.
Julia tentou explicar pacientemente a importância da qualidade. No entanto, o romance tornou-se cada vez mais exigente.
E depois ele falou sobre o salário.:
— Os colegas ganham mais do que eu. E eu sou o teu marido!
— Roman, o salário depende da experiência e dos resultados-disse Julia gentilmente. É uma prática comum na publicidade.
— Experiência?! Tenho dez anos no banco! — ele levantou a voz.
— Mas é outra área, querido.
E como sou o teu marido, isso não deveria importar?
Júlia ficou confusa. Ela não esperava que as relações familiares afetassem o ambiente de trabalho.
— Vamos falar sobre isso em casa-ela sugeriu gentilmente. — São horas de trabalho.
— Não, vamos agora! — O Roman pôs as mãos no peito. — Estou farto disto!
Os colegas começaram a se virar, observando sua conversa. Julia sabia que a situação estava começando a ficar fora de controle.
— Bem, em dez minutos, venha ao meu escritório-ela disse calmamente.
No escritório, Roman foi imediatamente ao ataque.:
— Olha para estes números! A Anna ganha 15 mil dólares a mais do que eu!
— Ela trabalha na agência há quatro anos-explicou Julia novamente pacientemente. Durante esse tempo, ela realizou muitos projetos de sucesso.
— E eu sou pior? — ele levantou a voz. — Sou o teu marido!
— É por isso que não posso me dar ao luxo de ceder a você — respondeu ela. Caso contrário, outros funcionários vão achar isso injusto.
— Qual é o respeito pelos funcionários?! — gritou o romance. — A família deve ser o mais importante!
Júlia olhou para ele em silêncio. Na frente dela não estava a pessoa que admirava o seu sucesso, mas alguém-um estranho, exigente, irritado.
Em casa, o conflito só aumentou. Roman andava nervosamente pela sala de estar, gesticulando:
— Transformaste-me num empregado! Onde está o respeito? Onde é o lugar do marido?
— Foi o seu próprio acordo-lembrou Júlia calmamente. — Temporariamente, enquanto procura um novo emprego.
— Temporariamente? — ele parou e virou-se bruscamente. — Porque haveria de procurar outra coisa? Tens um negócio!
— Porque você é um banqueiro, não um publicitário — ela respondeu, tentando manter a calma.
— Mas eu sou o teu marido! — ele levantou a voz. — E tenho direito a uma parte do negócio da família!
Júlia congelou. Essas palavras soavam muito diferentes das que ela tinha ouvido antes.
— Que parte? — ela perguntou baixinho.
— Honesta! — O Roman deu um passo à frente. — Estamos juntos! Tudo deve ser compartilhado!
«Eu criei a empresa muito antes de conhecê — lo», ela lembrou gentilmente, mas com firmeza.
— Mas agora somos marido e mulher! — insistiu ele. Por lei, tenho direito à propriedade conjunta!
Em sua entonação, novas notas assustadoras deslizaram. Ele não falou mais como um ente querido — ele falou como um candidato para o sucesso dela.
A cada dia a tensão entre eles aumentava. O romance ficou pior, mas esperava tratamento especial. Os clientes começaram a reclamar de sua nitidez e desatenção.
— Porque é que ele está atrasado? perguntou Ana. — As pessoas estão descontentes com o comportamento dele.
Julia sabia que a situação estava se tornando crítica. Mas como demitir alguém com quem você mora sob o mesmo teto?
O momento decisivo aconteceu de repente. Julia fez uma apresentação para um grande cliente em seu escritório. Esta transação poderia trazer à Empresa meio milhão de rublos.
De repente, a porta se abriu e o romance entrou.:
— Temos de falar já! — ele disse ao cliente, não honrando Julia nem com um olhar.
O cliente levantou as sobrancelhas interrogativamente. Julia ficou pálida com tanta ousadia.
— Roman, estamos em uma reunião-disse ela calmamente.
— Eu sei! — ele respondeu com confiança, pegando um caderno. — Mas não pode esperar!
— Então eu espero por você lá fora — o cliente começou a se reunir.
— Não faça isso-ele tentou parar seu romance. — Queria discutir os termos da parceria.
— Desculpe, quem é você? surpreendeu o diretor.
— Sou o marido da agência! um romance com orgulho. — E, na verdade, um parceiro de negócios!
O cliente deu um breve olhar para Julia, em seguida, dirigiu-se para a saída:
— Liga-me quando tratares do controlo.
A porta fechou-se. Julia olhou para o marido, incapaz de acreditar no que estava acontecendo.
Sabes que acabaste de perder meio milhão? — ela perguntou baixinho.
— Mas agora ele sabe quem toma as decisões! respondeu o romance com satisfação.
— Toma decisões? perguntou a Júlia.
Ele colocou o caderno na mesa.:
Estudei a estrutura da empresa e aprendi uma coisa. Por que sou apenas um funcionário? Tem de ser sócio. Seria justo!
Roman chegou a uma pasta de documentos em cima da mesa.:
Não sou apenas um trabalhador, sou seu marido! Preciso de poder e de participação no negócio!
Julia afastou a pasta de suas mãos:
— Roman, estás a falar a sério?
— Absolutamente! — continuou a gesticular. — Pára de fingir que sou só um empregado!
Julia ligou o computador em silêncio. Na tela foram exibidas as estatísticas de trabalho dos funcionários nos últimos seis meses.
— Olhe aqui-disse ela calmamente, virando o monitor em sua direção.
Havia números na tela: projetos frustrados, inúmeras reclamações de clientes, atrasos constantes — tudo com o nome dele.
— Em seis meses, você trouxe apenas perdas para a empresa — disse Julia friamente.
O romance tentou contestar.:
— É um problema temporário! Estou só a aprender!
— Seis meses é tempo suficiente-respondeu ela com firmeza.
Abrindo a gaveta da mesa, Julia pegou um envelope pré-preparado.
«Amanhã você não será mais um funcionário da minha agência», disse ela, estendendo a notificação de demissão.
O Roman pegou no papel e passou os olhos.:
— Não me podes despedir! Sou o teu marido!— É por isso que posso-respondeu Júlia calmamente. Daqui a uma semana, já não és meu marido.
Roman ficou de boca aberta, segurando o papel oficial em suas mãos.
— Queres divorciar-te? — ele finalmente arrancou.
— Já fiz o pedido-disse Júlia. — Não vou, já fiz.
Sem mais delongas, o romance virou-se e saiu do Escritório. Julia ficou sozinha, sentada na frente de uma tela com números de perdas.
Uma hora depois, ela pegou o telefone e ligou para o número do cliente.:
— Boa tarde! Todos os assuntos internos estão resolvidos. Podemos encontrar-nos amanhã?
Nenhum trabalho que ela tenha feito, ninguém lhe vai tirar. Nem hoje. Nunca.







